| |
PARA O JOVEM “X”, QUE LUTA NUMA CLÍNICA DE RECUPERAÇÃO

É como se você precisasse nascer de novo. Aí é um útero. O "X" precisa se parir, voltar a uma infância onde será o pai de seus próprios cuidados. Antes, pequeno, engatinhando, adultos outros o vigiaram, cuidaram, alimentaram, evitaram quedas ou ajudaram a reerguer das dores. Havia colos. Hoje, você aprende, certamente que é você, seu próprio pai, a zelar por você mesmo. Mas por isso, você mesmo é muito pouco. Porque somos sempre pouco pra desafios desse tamanho. Montanhas assim são difíceis de subir. Impossíveis, às vezes. Por isso, Deus. Indispensavelmente, e sempre, Deus. O Poder Superior, Supremo, Justo e Bondoso.
Com a ajuda dEle, cabe a você aprender os passos, tatear as lições, treinar confrontos e cautelas. Nunca mais brincar consigo mesmo, nem com os outros. Evitar as trilhas já andadas, aquelas que, se viu, dão em quedas, areias movediças, lodo. É como descobrir um outro mundo. Aquele, antigo, era de mentira e enganos, por isso, morreu. O "X" que sair daí, necessariamente é outro. E atento. Porque o "X" antigo estará sempre à espreita. São traiçoeiros nossos "eus", antigos, até porque são "eu" também, nos enganam, nos confundem, sorrindo engodos lá do espelho.
Eu sei que é um susto, uma dor, um medo. Como acordar de um atropelamento, entre ferros, na estrada. Mas dores purificam. Metal no fogo, vira aço. Medos, nos ensinam a coragem da humildade. Sustos, nos acordam para o que realmente, na vida, importa.
Você agora já sabe que este é um cuidado pra vida inteira, uma batalha sem descanso.
Mas guerreiros são assim, lutam mesmo: sempre! Por isso é que eles vencem. Os que cochilam nos cuidados, são apunhalados, tocaiados, morrem de véspera. Bom guerreiro só repousa depois de repor em ordem suas muralhas, depois de estudar os planos de guerra, conferir suas tropas, polir a armadura e lutar o diário bom combate.
A fé é tua lanterna. Não fé em você, porque guerreiros fracos somos. Fé no Deus que comanda tudo em harmonia. Mas essas luzes divinas, repito, só se acendem na humildade.
Por isso, aí, onde você está, é como o povo de Israel vagando no deserto, aprendendo cuidados, exercitando o corpo pras batalhas, treinando a mente na solidão, exercitando a alma na oração... daí, a Terra Prometida, as vitórias, a promessa cumprida. Guerreiros ninja aprendem em mosteiros. No silêncio. Depois o mesmo silêncio, bem ouvido e entendido, vai com eles sempre, conselheiro sábio.
Aconselhei que tua amada te deixasse. Sim, o fiz. E faria de novo. Ela não sabe o tamanho da batalha que te aguarda. Mas ela insistiu. Ficou do teu lado. Eu preferia que você sequer tivesse esse consolo. O desafio seria maior, mais duro? Sim. Por isso mesmo, mais correto. Leia a história de Jó. Só quando perdeu tudo, tudo, tudo, só aí se completou a prova e o resgate veio. Fundo de poço é fundo de poço mesmo. Aquele lugar onde não há mais pra onde descer. Hora de solidão. Mas ela quis ficar ali. Há méritos nisso, claro. Claro que, por ela, você deve lutar. Mas acima de tudo, por você mesmo. Porque tua felicidade não está nela. Porque se você não estiver inteiro, não estará com ela. A felicidade é uma construção interior, que depende de você, de teu coração aberto a Deus. Por isso lute, mais do que por ela, lute por você mesmo. Ela não merece o "X" antigo, é claro. Mas, acima de tudo, você, "X", você mesmo não merece o "X" antigo. Agora que sentiu o quase afogamento, agora que sentiu o peso da vergonha, agora que sentiu como é difícil o corpo se domar, agora que sentiu a cabeça rachando a parede, agora que percebeu o quanto dói o descaminho e o quanto fere a ilusão... agora, você está pronto. Pronto pra aprender a voar. Pela sua amada? Sim. Mas acima de tudo por você mesmo. Aprender a voar. Aprender a flutuar. Aprender a vencer.
Você a essa altura deve saber que conheço lutas assim, como a tua. E sei que são difíceis. E sei que são estafantes. Mas a vitória é possível. Com Deus, a vitória é possível. Eu vi, amigo. Precisou de muita humildade e joelhos no chão e confiança em Deus. Mas eu vi a vitória acontecer. Vejo a cada dia.
Por isso, cultiva aí tuas flores. Prepara aí teus jardins. Daí, saia novo. Como Davi contra gigantes. Mas, é um gigante de cada vez. Só um. Só um. É possível. Você vai conseguir.
Vai sair desta maior. No momento certo, terá histórias a contar. Pessoas a ajudar. Evitar que outros descaminhem sem sentido. A vitória te aguarda. Que Deus te sustente o coração, o braço e a lança, pra ferir de morte a angústia, o passado e os temores. A vitória te aguarda.
A vitória te aguarda.
Categoria: EU E OS MEUS
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 09h31
[]
[envie esta mensagem]
[link]
O LIBERTÁRIO SILÊNCIO DO BOLA CHEIA

É horrível a falsa espontaneidade imposta pela TV ao vivo, quando famílias de competidores - de qualquer coisa, do nefasto big brother a qualquer torneio de gamão, jogo da velha, copa do mundo, ou porrinha - são reunidas na sala de suas casas, como bichos num zôo. Câmeras são dispostas estrategicamente para colher lágrimas, sorrisos, braços se agitando...
Daí, um apresentador idiota e bueno pergunta: "cadê a animação da família X?" E o pessoal se sente obrigado a espernear, sacudir os braços tresloucadamente, ter reações de eletricidade imposta, de alegria postiça, pelo tempo em que durar o "take"!
Talvez a coisa só piore quando, naquele assunto emocionante ou chocante, o repórter força uma lágrima e o câmera ajusta o foco pra arrancar a preciosa pérola garantidora de audiências estúpidas, e fica lá, na tocaia... aguardando o olho derramar a preciosidade... E o pior... a pessoa entrevistada ou dá um jeito de cuspir uma agüinha do olho, ou se sente culpada por frustrar toda uma audiência, que torce pela constrangedora gota de pranto inautêntico.
Será que a gente esquece que existe choro seco, choro calado, choro interno... como também alegria que chora, gente que comemora sem braços, gente que comemora em silêncios... Por que temos que agir como fantoches midiáticos, manipulados por cordéis eletrônicos?
Penso em pobres gentes como o Veríssimo, o grande escritor e indomável tímido, que já foi ao Jô - um talk show! - para ficar em silêncio. Penso em Tom Waits, o bardo genial, que certa vez conseguiu ficar mudo e indisposto mesmo diante dos olhos maravilhosos da entrevistadora Bruna Lombardi. Penso em pessoas que têm vergonha até de parabéns-prá-você... e que têm seus direitos, cacêta!!!
Não sei, se nestes tempos de "sorria, você está sendo filmado" ainda conseguiremos ser algum dia verdadeiramente espontâneos... em nossos silêncios ou nossas alegrias.
Melecas ficarão nos narizes empedrando, porque... você está sendo filmado... Daquela ajeitada na franja, a moça recuará, da mesma forma que daquele torcer de lábios no avesso que quase engole a própria boca pra ajeitar o batom... afinal, ninguém quer parecer maluco na frente das câmeras... Por isso, sorrisos serão vendidos em lojas de silicones e teremos todos uma forma qualquer de photoshop portátil, um botox de bolso, que garanta o sorriso exigido, pela Globo ou pela câmera do elevador. Lágrimas estarão muito disponíveis em adesivos muito realistas, em 03 dimensões, ou em cristaizinhos chineses, ou em colírios adequados...
Por outro lado, cada vez mais gente plantará bananeiras, mostrará peitos e bundas, pendurará melancias em brincos... afinal, aparecer na telinha tornou-se uma forma autônoma de existência, de concessão de sentido ao nosso cotidiano obscuro...
Os quinze minutos de fama reduziram-se... a quinze segundos, o importante é que: "Galvão, filma nóis!"... patéticos apelos, gente que se transforma em ridículos outdoors da Globo, ou da Band, porque assim arruma uma fugaz existência, na tela... da TV! Gente que se submete a ser agredida pelos CQC's, a ser transformada em esboços de gente pelos Pânicos na TV, porque aparecer na TV é necessário, oh céus!
Por isso é que, ontem, na Globo, vivemos um momento histórico e glorioso!
Na eleição do "bola cheia" do Fantástico, ganhou Diguinho, um menino paulista. Tava ele lá, com aquela galera que tem que se esfuziar na hora em que a Globo agenda... Daí, sai o resultado, ele comemora (sinceramente), como qualquer moleque da idade dele, o pessoal em volta dele também... mas daí, a coisa pára, os moleques queriam era ir jogar uma pelada ou comer uns cachorros quentes, mas a Globo queria esticar a coisa, e de repente, o Tadeu Schimidt pergunta ao guri: "E aí, Diguinho, o que você gostaria de dizer ao Brasil agora, que você é o Bola Cheia de 2008?"... E o Diguinho, ao vivo, no Fantástico, em horário nobre na Globo... simplesmente diz, com todas as letras: "Eu não quero dizer nada não." E ponto final! Não queria, não ia inventar, e não disse!!!! Desafiando, com sua impetuosidade juvenil a opressão da sambadinha encomendada, das palavras virtuosas decoradas, das emoções fabricadas, da alegria com hora certa pra entrar no ar.
Além de o Diguinho ter feito um golaço (no lance que lhe deu a vitória, ele jogava como convidado, molequinho no meio de uma pelada de marmanjos), virou meu ídolo libertário!!! Até que enfim alguém ousou desafiar a ditadura fantástica e global!
Um ser humano autêntico surgiu no Brasil, viva!!!
Categoria: POLÍTICA E ATUALIDADES
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 10h42
[]
[envie esta mensagem]
[link]
LUCAS CLICADO POR MARIANA

A natureza na cabeça,
o menino,
como um cacho de milagre recente,
pendurado na planta...
A rampa que desce.
O menino que, destemido,
subiu a escada íngreme,
olha o sol vazando as folhas
e enche o cantil dos olhos.
Só então desce,
com aquela luz captada,
pra repartir com a gente
pobre obscura e adulta,
já esquecida de tais milagres.
Esta é a missão dos apóstolos.
Esta é a missão da infância.
Que ela nunca nos falte.
Categoria: EU E OS MEUS
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 09h43
[]
[envie esta mensagem]
[link]
CHEGOU O LIVRO
Para comprar o livro
"ASSIM CAMINHA A INSENSATEZ - A Maconha, suas marchas, contramarchas e marchas à ré"
- procure em bancas e livrarias de Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo e em algumas do Rio de Janeiro (divulgação das lojas em breve)
- mande um e-mail para o autor, em denilsoncdearaujo@gmail.com
- ou entre em contato com a editora, em www.usinadeletras.com.br
Escrito por Denilson Cardoso de Araújo às 18h10
[]
[envie esta mensagem]
[link]
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
|